sexta-feira, 11 de abril de 2014

Boletim 168.

ABRINDO E FECHANDO A PORTEIRA.
O amor.
Sei. Já falei demais no assunto, mas ele não tem e nunca terá fim. Não sou noveleiro, mas ficava esperando o Repórter da Globo, ansioso pelo fim da novela "Joia Rara", quando assisti o seu final. Joia Rara, disse a atriz Glória Menezes, é o que chamamos de amor. Passou em sua alocução a descrever os benefícios do amor, e suas consequências na sociedade em que vivemos. Lamentei apenas que ela não dissesse o  que seja o amor.  Sei também que já me manifestei sobre sua definição em boletins anteriores, mas não custa repetir: este sentimento - amor - não nos pertence. Somente o terá aquele que crer num Ente Superior. Evitei chamá-lo de Deus, para não ferir aqueles que "se julgam ateus", pois conheço vários ateus que verdadeiramente "amam". O sentimento do amor só pertencerá àquele que desenvolver sua consciência, inspirada na ética e na moral religiosa (ética é a teoria e moral é a sua prática). O inconsciente é mau. Nossa conduta será sempre norteada pela ética. Também sei que há filósofos que a contestam, dizendo que não distinguimos o que seja bem, e o que seja mal. Estou longe de concordar com eles, principalmente com um tal de Spinoza. Imaginem que Thomas Hobbes(1588/1679) chegou a escrever: "Qualquer que seja o objeto do apetite ou desejo de um homem; é isso o que ele, por sua vez chamou de 'bem': e o objeto de seu ódio e aversão, de 'mal'." Deus! Então, se esta é a sua ética, ele não possui moral, e sem moral voltaremos a ser selvagens. Então amemos, não para o outro, mas para nossas próprias consciências. 

terça-feira, 1 de abril de 2014

Boletim 167

ABRINDO E FECHANDO A PORTEIRA.

Meu velho Pai.

(Esta charla foi lida na Fazenda Sant´Anna, no dia do seu centenário de nascimento, 26 de janeiro de 1998, em uma reunião festiva do Rotary Club de Camaquã.)

Meu velho Campeiro, Pai e Companheiro Mário Silva Azambuja.

Sei que a campeirada é das brabas, pois vamos voltear a Invernada do Esquecimento. Ao passo lento, buscando pelo picaço, me treme o buçal na mão, como quem penetra a bruma do tempo. São porteiras pesadas, como a me dizer que entro em campo proibido, mas te encontro na beira do fogão galponeiro, envolto de paz e luz, chimarreando o doce líquido do descanso eterno. Só a força do amor seria capaz de permitir minha aproximação. 
         
Volteamos o rodeio da lembrança de meus primeiros galopes, quando senti tua austeridade paterna. Foi nela que encontrei a têmpera para enfrentar as intempéries da vida. Sei meu companheiro, era outro tempo, quando só havia a força do braço na dura luta pela sobrevivência, que não conhecia cansaços. Mas meu trote infantil se assustava com teus galopes rápidos e destemidos. Aprendi a obediência quando recebi este freio pesado, que a vida na sua ciência, nunca mais me permitiu deixar de lado. Lembrei quando afirmavas que ela é uma luta constante, para aqueles que aceitam o desafio de buscar um ideal. Pois te atropelando na idade, perdi o medo do final, pela linda e profunda trilha que deixaste no varzedo da existência, como um farol a me indicar um destino.

É incrível como tanto tempo depois, ainda me assalta a vontade de dar de rédeas para trás. Não para viver mais, mas para trotar ao teu lado outra vez, mudando o rumo de alguma coisa, ou simplesmente o tom da conversa. Com todo aquele carinho que nos unia, permitimos um “mundão” entre nós dois, esquecendo de desfrutar os bons momentos das descontraídas mateadas, dos tentos frouxos, de uma simples pescaria.


Mas vou sair deste tranco duro, mudar de rumo, falando de coisas boas, esquecendo até mesmo os Niños e os Diablos que se abatem por aqui. Teus dois filhos, três netos, cinco bisnetas, e um bisneto, todos lindos e gordos. Queres mais? Tua verde Sant’Anna, mesmo com toda a luta contra os “leoninos”. Teus muitos Companheiros, amigos e parceiros. Verdade que outro tanto se mudou de querência, quem sabe pela propaganda que fazem desta tua Invernada aí de cima.
  
Outro dia lembrei-me de ti, ao ler a lista dos partidos políticos que inventaram. São 29 com as mais misturadas letras, onde encontrei até um P.L. igualzinho ao nosso, mas no nome, pois em ideal só mesmo aquele parlamentarista. Lembro o quanto peleaste ao enterrarem cinco ou seis partidos, dizendo que eram muitos, para fundarem somente dois, matando nosso PL.

Bueno meu Campeiro, Pai e Companheiro, foi uma charla complicada, meio sem começo e será sem fim. Não dá para entender muita coisa, mas não podia deixar passar o cavalo encilhado, sem uma mensagem. Tinha muito mais para te contar, mas me despeço com a certeza que nos aproximamos, encurtando distâncias, onde saberemos sempre fazer amigos, na oferta da fraternidade. Amar não é para quem quer, é para quem soube ser humilde e verdadeiro como tu, para quem mais ofertou do que pediu, para quem mais trabalhou do que descansou, para quem mais se resignou do que reclamou e, principalmente, para quem muito mais amou do que odiou. Assim te guardarei na lembrança, ofertando meu respeito, no pedido de tua benção.
Teu filho
Luiz Fernando Azambuja

segunda-feira, 24 de março de 2014

Boletim 166.

ABRINDO E FECHANDO A PORTEIRA.
Conhece a ti mesmo.
Sem ainda me conhecer ao todo, conheço pessoas que se desconhecem completamente. São aquelas que se julgam isentas de qualquer erro, e se julgam perfeitas. Sabem tudo, e são incapazes de admitir que outra pessoa saiba mais do que elas. Não se trata de vaidade pessoal, muito pelo contrário, psicologicamente elas buscam esconder os seus defeitos, na triste missão de querer convencer o outro com seus argumentos errados. Nas discussões são incapazes de ouvir o interlocutor, e mesmo permanecendo em silêncio, não estão escutando o que o outro diz, atentas às suas vozes interiores buscando suas justificativas. São incapazes de evolução. Já convivi com pessoas assim, e normalmente as taxo de egoístas, e egoísmo é um vício que destrói a alma humana. Desconhecem o que seja humildade...


Humildade vem do latim umilitas, e é a virtude que consiste em conhecer as suas próprias limitações e fraquezas, e agir de acordo com essa consciência. Refere-se à qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem mostrar ser superior a elas. A Humildade é considerada pela maioria das pessoas como a virtude que dá o sentimento exato do nosso bom senso, ao nos avaliarmos em relação às outras pessoas.
Albert Einstein confessa que "por detrás da matéria há algo de inexplicável".
Humildade também não significa ter de se rebaixar para as outras pessoas, mas sim reconhecer e admitir suas falhas.
Do ponto de vista da filosofia, Immanuel Kant afirma que a humildade é a virtude central da vida, uma vez que dá uma perspectiva apropriada da moral.
Com a mesma humildade que recebo uma crítica, recebo um elogio!
A virtude que dá o sentimento de exatidão da nossa fraqueza.
Ter humildade é saber perder e saber vencer, ver a simplicidade nas coisas.

* Frases da Internet - Wikipédia e Dicionário inFormal.

Concordem comigo: todos estamos repletos de erros, pois não existe ninguém perfeito neste mundo, ou melhor, as criancinhas nascem perfeitas, e até certa idade permanecem inocentes. Daí que: "Delas será o Reino de Deus".
Nós adultos é que devemos nos cuidar.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Boletim 165.

ABRINDO E FECHANDO A PORTEIRA.
Mágoa.
Um sentimento que sempre passou por longe de mim, por piores momentos que tenha sofrido, entretanto, nesta semana fui magoado, o que me fez refletir, e refletir muito. Claro, busquei sentar num banco tosco do Galpão do Galo Velho, frente a um fogo forte, numa madrugada silenciosa e calma, quando matutei muito. Toda mágoa tem casamento certo com a vergonha. Este dois sentimentos não são tão ruins como se pensa num primeiro momento. Temos de dar tempo, refletir muito, ponderar os acontecimentos, para depois, quem sabe muito depois, formar uma definitiva opinião. O primeiro passo é não deixar a mágoa se transformar em rancor. Jamais nossos sentimentos podem regredir, na ordem moral em que nos elevamos. O segundo passo é não colocar a culpa nos outros, o que é sempre muito fácil. Difícil é colocar a culpa em nós mesmos! Depois de muito refletir passei a culpar a mim mesmo. Também não fiz disto uma mortificação, apenas procurei aprender a lição para não cometer o mesmo erro. Já escrevi em boletins anteriores que nenhuma virtude é fácil de ser exercida, mas certamente a humildade é a mais difícil de todas. Não creio que tenhamos nascidos humildes, e sempre entendi que ela deve ser praticada, e esta prática estará associada à nossa consciência. Reconhecer o erro é um dom, mas pedir perdão é um ato de humildade.
Aquela mágoa não me fez mal, e depois do mate do estribo, depois que o Sol derramou sobre mim a sua luz para vencer o dia que amanhecia, entendi que é bom viver, revigorado pela energia de um DEUS CÓSMICO. 

quarta-feira, 5 de março de 2014

Boletim 164.

ABRINDO E FECHANDO A PORTEIRA.


Obs. Repito o Boletim 52, datado de 2010, e um dos mais acessados, até mesmo na presente semana. Interesse genealógico.

Fazenda da Quinta.
A Fazenda da Quinta foi desmembrada da Sesmaria Flor da Praia, quando Faustina Maria Centeno, filha do Sargento-Mor, Boaventura José Centeno e de Dona Antônia Joaquina Gonçalves da Silva (irmã do Gal. Bento Gonçalves da Silva), recebeu metade da grande sesmaria. Faustina casou com o português João Luiz Pereira da Silva, um profissional na arte da enxertia, que construiu um pomar tão grande e perfeito, que deu nome à Fazenda da Quinta. Dou uma ideia do que foi este pomar, pois muito o percorri. Sob a ramada do parreiral, percorria-se um longo caminho, até chegar na taipa de um grande açude, onde havia um excelente local de banho, e pescaria. Dos dois lados deste parreiral, desenvolvia-se diversas espécies de árvore frutíferas, cerca de dois hectares de arvoredo, onde conheci alguns pés de café e algodão. O velho tear também é de minha lembrança, onde se confeccionava o tecido para as peças de roupa, já que na época os ovinos não haviam chegado na região, e o café era de difícil aquisição. Ambos, café e algodão, eram de péssima qualidade e baixa produtividade devido ao clima. Conheci também um imenso pé de pinheiro, que chamavam de pinheiro imperial, mas não sei dar sua origem. As palmeiras imperiais eram abundantes, e ainda hoje existem na região alguns de seus "filhos", que vieram procedentes do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Do casamento de João Luiz com Faustina conhecemos dois filhos - Boaventura Luiz Pereira da Silva, casado com Izabel Eufrásia, neta do Gal. Bento Gonçalves (aquela gente viajava muito pouco) , que tiveram um filho chamado Cel. Boaventura Luiz, chefe do Estado Maior do Gal. Zeca Netto, e pai de Dona Izabel Silveira da Silva, casada com o saudoso amigo Dorval Ribeiro. O outro filho, foi Francisco Luiz Pereira da Silva, conhecido por Vô Chico, casado com Tereza(?) com quem constituiu dois filhos: Adolfo Luiz Pereira da Silva, que casou com Anna América Centeno, tendo com ela quatro filhos: Thereza, casada com o primo Mário; Maria, casada com outro primo, Lauro; Sylvio, com Morena Pereira e, Francisco Luiz, conhecido como Luizinho, casado com Ivone Pereira. A outra filha do Vô Chico foi Faustina, que casou com o Cel. Ney Xavier Azambuja, proprietário da Fazenda da Invernada, com a qual teve treze filhos, mas sobreviveram apenas oito: Mário, da prima Thereza; Lauro da prima Maria; Mariá, casou com Tito Paranhos Barcellos; Marieta, com José Olavo Fay; Ney, com Nilda Souza; Marcolina com Romeu Luiz Pereira da Silva; Cel. Dário, com Maria de Lourdes Vilamil e, finalmente Adolfo, que casou com Zilda Souza.
Vou buscar a descendência desses primos, mas necessito do auxílio de meus parentes. Será necessário o nome dos filhos e netos dos meus primos. Também o ano de nascimento em parênteses ao lado do nome.  


quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Boletim 163.

ABRINDO E FECHANDO A PORTEIRA.
Nada muda!
O título pode parecer impossível, ainda mais se pensarem que estou me referindo a rotina, que mata, mas peço para refletirem.
O Sol é o mesmo desde os primeiros tempos. Nosso ar pode estar um pouco poluído, mas dá para viver. O voo dos pássaros, o perfume das flores, o movimento das nuvens, e tudo mais que a natureza nos contempla, é o mesmo. Nada muda. Dirão que mudamos nós, o que também não creio. A tecnologia é que nos faz mudar de um lugar para o outro rapidamente. Dentro de um mundo ambicioso e violento, com uma droga de TV nos perturbando 24 horas por dia, mudamos apenas a maneira de agir. Esquecemos de "viver" a natureza, e ainda para piorar as coisas, a agredimos. Não sou técnico no assunto, pois meu único título é de datilógrafo, mas tenho olhos para ver, e um coração para sentir. Como rotariano sou preocupado com a saúde do Mundo, erradicando a poliomielite da face da terra. Mas temos também de erradicar os bolsões de miséria, onde se multiplica a violência. Temos de promover mais escolas, mais professores com melhores salários, mais segurança de vida. Então fico me perguntando o que estamos fazendo para ajudar. Sei, dirão - eu pago meus impostos, mas afirmo que ainda está sobrando. Vejam o povo doando milhões aos políticos ladrões para saldarem suas dívidas! Quanto dinheiro como este, jogado fora, poderia ser dirigido àqueles necessitados? Restam os clubes de serviço, a maçonaria, as entidades sociais, mas justamente aquilo que está mudando nossa maneira de agir, não nos dá mais tempo para praticarmos o bem. O pior é que estamos alimentados pelo mal. 
Não sei se publicarei isto, sentindo que hoje estou negativo, e não gosto desta gente...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Boletim 162

ABRINDO E FECHANDO A PORTEIRA.
Meu querido diabo. 
Certamente poucos me entenderão ao comentar um acontecimento particular, ocorrido junto de um grande amigo, quando de minhas férias. Éramos dois casais, comungando o mesmo apartamento, quando já no primeiro dia meu amigo confessou ser um ateu convicto. Percebendo a força de seus argumentos, com conceitos opostos aos meus, esperei chegar o momento certo para usar dos meus. Já de saída não deu certo, tendo ele me cortado a palavra, demonstrando ser um homem de difícil diálogo, na demonstração de uma convicção sem profundidade. Que amigo adorável, mas que homem complicado! Sem outro recurso para convencê-lo, passei para o seu lado, e mesmo depois de cinco anos sem beber álcool, aceitei um chopp, o que lhe deixou muito alegre. Depois foi uma taça de vinho e salgados torrados, coisa que detesto. Passei a chamá-lo de meu Querido Diabo, dizendo que não aceitando meu Deus, iria demonstrar que eu não tinha medo de seu Diabo. Ele passou a me ouvir com mais atenção desde então. Já nos separamos depois de uma semana, e me atrevo em afirmar que minhas palavras estarão gravadas em sua memória, e seus conceitos irão mudar.
Conclusão: O seu Diabo já está morto dentro de mim, pois a maldade só existe em quem não crê em Deus. Mas confesso: Não encontrei nenhuma maldade naquele meu amigo Querido Diabo!



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Boletim 161.

ABRINDO A PORTEIRA.
Dívidas.
Sou PHD neste assunto, pois poucos de vocês acumularam tanta dívida como eu. Nunca lhes dei as costas, e elas me fizeram crescer internamente, mesmo esfarrapado por fora. Onde foi parar o meu capital perdido? E o capital de vocês todos? Não quero falar aqui em política. Nunca me referi a este assunto, já que a detesto assim como seus participantes mas, nossa economia está atrelada à política, e todos sabemos o que está se passando ali. Vejam o que meu contador, amigo e economista, pessoa de meu carinho e respeito, Ismar Luiz Erigson, publicou no facebook, e certamente poucos de vocês leram. Por favor, prestem atenção:

Para quem gosta de números.
É muito número para pouco espaço, então vou simplificar: 

Lucro Itaú
2002 - 2,377 bi 
2013 15,696 bi

Lucro Bradesco
2002 - 2,022 bi
2013 - 12,011 bi

2002 - dívida externa 212 bi + interna 640 bi = 852 bi
2007 - dívida externa 0,00 + interna 1,4 tri = 1,4 tri
2010 - dívida externa 240 bi + interna 1,65 tri = 1,890 tri
2013 - total 2,24 trilhões
Em 2007, trocamos a dívida externa de médio e longo prazos e taxas de juros mais baixas, por dívida interna de curto e médio prazos e taxas de juros mais altas.


Deus! Vocês deixarão de ler meus boletins, mas tenho de 

retornar no tempo, "VAMOS GUARDAR O DINHEIRO SOB O 

COLCHÃO"!!!! Vamos esquecer dos Bancos!!!



GALPÃO - HISTÓRIAS e FECHANDO.

Não dá para escrever mais nada. Se existe alguma coisa que tira a poesia é o dinheiro. Até as letras ficam borradas. 


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Boletim 160.

ABRINDO A PORTEIRA.
Nossos relacionamentos.
Parece que esse laço das relações humanas está rebentando. Desculpem, mas tenho de retornar no tempo, para dizer que lá "tínhamos liberdade nos relacionamentos". Também sei que aquela liberdade era pela segurança, pelos "poucos" conhecidos que tínhamos. Hoje o mundo inchou! Parece que não vai caber mais gente na Terra. São tantos, que não precisamos conhecer a tantos. Vamos nos relacionar nas redes sociais! Assim nos fechamos, não querendo dialogar com ninguém neste Mundo desconhecido, por mais que o conheçamos. Conhecemos "coisas", mas não queremos conhecer pessoas, e se vivemos num paraíso de coisas lindas é indispensável vivermos em união, pois não há paraíso sem fraternidade

GALPÃO.
A Paciência.
Aqui na beira do fogo é que aprendi a sismar. Ainda pouco virando o mate sobre mim, perdi a paciência. Já a perdi um milhão de vezes, mas cada dia que passa, ficando velho, aprendo a me encontrar mais rapidamente com ela. Quando jovem demorava horas, ou mesmo dias. Paciência é a mais difícil das sete virtudes (castidade, generosidade, temperança, diligência, paciência, caridade e humildade. Aprendi também que tem as três teologais = fé, esperança e caridade).  Para alcançá-las é necessário um demorado e apurado treinamento mental, e ele começa pelo desenvolvimento de nossas consciências. Paciência nas filas, no calor, no trânsito, na porcaria da política, nos amigos chatos, nas crianças mal educadas, e a lista não teria fim. Ninguém, entretanto, será paciente se não for tolerante! Tolerância deveria ser virtude, mas não consta como tal.


HISTÓRIAS QUE ME CONTARAM.
Felicidade.
Para mim é um tema inesgotável, principalmente porque a amo. Comprei o livro "Felicidade 360º". Estou me esbaldando. Destaco "Normal é ser feliz", do nosso já conterrâneo Leno Pappis, e comento alguns trechos que estão grifados:
"Quem é feliz vive mais e melhor". (Daí ele passa a dar dicas para sermos felizes.) "Para encontrarmos a felicidade, precisamos entender algumas verdades fundamentais sobre a natureza do nosso próprio ser e do mundo que nos rodeia. Precisamos redescobrir quem realmente somos, conectando-nos com nosso estado natural. É preciso que paremos de procurar lá fora aquilo que sempre esteve aqui dentro." (Só esta para mim bastou!) "Eu desafio você a observar as coisas singelas, a ouvir o canto dos pássaros, a caminhar de pés descalços, a tomar banho de chuva, a ouvir o barulho do vento, o farfalhar das folhas das árvores. Eu desafio você a deitar ao ar livre à noite, e de barriga para cima observar as estrelas, o amarelo da lua, sentir o cheiro da noite. Eu desfio você a voltar a ser como uma criança, a se esquecer dos problemas, a gargalhar de um papel rasgado, a dançar desengonçadamente, rir sem motivos. Isso ativa o código divino em você. Isso é reconexão, isso é felicidade".  
Recomendo contato com ele - lenopappis@hotmail.com 


FECHANDO A PORTEIRA
O melhor é deixá-la aberta, assim entrará muita coisa boa na minha Invernada da Felicidade.



sábado, 25 de janeiro de 2014

Boletim 159.

ABRINDO A PORTEIRA.
Amar.
É um tema universal, mas poucos meditamos sobre ele. Hermann Hesse escreveu em Obstinação, que "ser amado não é nada. Amar sim é que é tudo". Afirmo que amar não é admirar, encantar, extasiar, ou desfrutar a beleza do outro. Amar é muito mais que isto. Certos cônjuges vivem uma existência inteira com o outro, sem o amar. Admiram-se, extasiam-se, ou desfrutam-se, mas isto é prazer, não é amar. Amar é se ofertar ao outro. Amar é se sacrificar ao outro. Até mesmo é fazer tudo isto, sem pedir nada em troca. Amar não é negócio. Amar não é dizer "eu te dei, agora quero isto em troca". Amar é o silêncio da doação. Aqueles que conhecem a Bíblia fazem isto à Deus, mas esquecem de fazer isto ao seu semelhante. Alguns, mesmo sem conhecer a Bíblia, sabem ofertar seu amor puro e desinteressado ao semelhante. Esses estarão amando a Deus, pois Ele habita em nós. 


GALPÃO.
Amar.
Aqui também se ama. Ama-se o trabalho, que é a expressão do futuro, alimentando a seiva dos ancestrais, na realização de seus sonhos perdidos. Aqui cultuamos o respeito, que é o primeiro passo para o amor. 


HISTÓRIAS QUE ME CONTARAM.
Amar.
Esta história li no facebook, pois ali também tem coisas muito boas. 
"O funcionário de uma grande empresa ficou preso em sua câmara fria. Era fim de expediente e todos se retiravam, sendo inútil seus gritos e pancadas na porta. Morria, quando a porta foi aberta pelo ronda, que salvou sua vida. No hospital, o ronda lhe fez uma visita, quando o funcionário lhe perguntou porque abrira a câmara fria, pois esta não era sua obrigação. O ronda respondeu que assim procedera porque o amava, mesmo sem nunca ter trocado uma só palavra com ele. Ocorria que ele era o único funcionário da fábrica, que o cumprimentava ao entrar, e também se despedia ao sair. Naquele dia havia notado que não recebera sua despedida, e concluíra que havia algo de errado, tendo procurado por ele."
Isto é amor. Amor até mesmo sem diálogo. O ronda havia se ofertado. 

FECHANDO A PORTEIRA.
Explicando.
Vai um sobre o outro, porque o 158 foi enviado de um computador novo, que recebi de presente do filho Magrinho, e nele os contatos não foram copiados na íntegra. Alguns receberão em dobro. Desculpem.

Boletim 158.

ABRINDO A PORTEIRA.
Viver para comer, ou comer para viver?
A pergunta é cada vez mais atual, e muito devemos meditar nela. Somos tomados por pesadas propagandas da mídia,  induzindo o consumo das mais variadas e belas comidas. Nosso olhos não obedecem mais nossas mentes, ou nossas mentes estão seduzidas por nossos olhos. A coisa chegou a tal ponto, e pasmem, vi na TV, estão introduzindo bolas no estômago das criaturas, para que tenham a "sensação" de estarem alimentadas!!! O Silveira Bueno me diz que "sensação é a impressão produzida num órgão dos sentidos, pelos objetos exteriores, transmitida ao cérebro pelos nervos, e determinantes de um juízo ou conceito". Certamente perdemos o juízo, ou nossos conceitos de vida foram modificados, na busca do prazer momentâneo, esquecendo de nosso futuro.

GALPÃO.
A comida galponeira.
Aqui não nos reunimos para comer. Nos reunimos para trabalhar. De quando em quando o máximo é nos empanturrarmos com muita carne gorda, e o único carboidrato é um pouco de farinha de mandioca, que ajuda a "secar" a gordura. No mais é mate sobre o mate, no começo da churrascada até o seu fim. Não conheço galponeiro gordo, salvo os que se empanturram com arroz e feijão. Depois, a lida não deixa a gordura grudar no sangue. 

HISTÓRIAS QUE VOU CONTAR.
O guloso.
Não vou citar o nome deste saudoso e querido amigo, mas conto que muitas vezes estávamos almoçando, e ele projetando onde iríamos jantar. Verdadeiramente vivia para comer. Além de tudo era um exímio cozinheiro, e com um paladar apurado exigindo a perfeição dos temperos. Certa feita comíamos num restaurante no interior do Rio de Janeiro, carne na tábua. Era um, dois ou três bifes, cobertos com um, dois ou três ovos, e tudo abafado de muita, mas muita batata frita. Ele pediu uma tábua com três bifes só para ele. Ficamos em assustado silêncio, e dividimos nossas tábuas para que tocasse um bife para cada. Lá pelas tantas ele percebeu que estávamos no fim de nosso bife, e ele estava apenas no segundo, e foi quando disse: "aquele que avançar no meu terceiro bife vai levar uma garfada". Deus, isto é o prazer fora de qualquer juízo.

 FECHANDO A PORTEIRA.
É muita comida, vou é fechar a boca!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Boletim 157

ABRINDO A PORTEIRA.
Vista cansada. 
Recebi de Cony Filho, meu Irmão Fraterno, uma mensagem com esse título. Tão lindo o texto, que não consegui ver as belíssimas fotos. "Vi não vendo" ou "De tanto ver, não vi" como consta no texto. Vou tentar colar o link, mas não sei se dará certo. Depois de lê-lo quatro ou cinco vezes, passei a meditar nele, e me atrevi em opinar.
Vista perfeita.
Existem olhos que só percebem erros. Nada para eles é perfeito, e estão sempre em busca de algo que esteja faltando. Lembro de um dia ter mostrado um trabalho para certo amigo, quando ele apontou alguns erros. Se fosse só um, mas foram vários. Interessante que eu estava satisfeito com aquele serviço, que me proporcionava felicidade, o que julgo ser próprio dos medíocres. Aquele amigo era um perfeccionista, se aproximando da genialidade. Opino então, que felizes somos nós os medíocres, já que os gênios não são capazes de apreciar suas próprias obras primas. 

GALPÃO.
Galpão.
A história do nosso Rio Grande do Sul se confunde com GALPÃO. Era nele que se tramava as batalhas, longe de ouvidos tagarelas, ao lado das montarias encocheiradas, no 'sorvo da cuia bruna', e 'vaqueanos virando assados', foi assim que a história de nossa terra gaúcha aconteceu, riscada de sangue. Certamente o nosso torrão foi o único da Pátria assim formado, fazendo o amor por ele, se alimentar da seiva do chão bendito de nossos antepassados. Quando o Balbino canta o Rio Grande, a gente se encanta. Escutem:
"No teu recinto aquecido, duendes de estranho jogo, riscavam sombras de fogo, na taipa e no chão batido. No oitão de taquara e terra, cimbrava a bulha da guerra. Ali brotou a decisão: Brados de irmão para irmão, se ouviu de um para outro! A rincho e casco de potro, firmou-se ao cantar do galo, penhor de pai para filho, amor de filho pra pai... e a indiada pulou a cavalo, e a grito, pata e lombilho, num raio guacho que cai, a cincha e a sovéu gasto, trouxe este Brasil de arrastro, pras barrancas do Uruguay" (Balbino Marques da Rocha, no arremate do poema 'Galpão do Rio Grande'). 

HISTÓRIA QUE ME CONTARAM.
NPHC.
Núcleo de Pesquisas Históricas de Camaquã. Ali a gente toma um banho de história, escutando a voz do seu mentor e fundador, Dr. João Máximo Lopes, um bageense, que conhece a história de Camaquã, mais do que qualquer outro de seus filhos. Nossas reuniões começam as 18 horas de todas as últimas quintas feiras do mês (janeiro e fevereiro estamos de férias), na Av. Olavo Moraes, 444, segundo piso, sempre com interessantes palestras. Vale a pena ouvir as histórias que conta o João Máximo.


FECHANDO A PORTEIRA.
Vamos deixar aberta. A tropa anda aquerenciada, tem pasto bastante, e ninguém vai embora. Melhor ainda é que os ladrões sabem que simplicidade não pode ser roubada. 

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Boletim 156

ABRINDO A PORTEIRA.
Orar pedindo. Orar ofertando.
Sabemos que a maioria dos fiéis rezam pedindo à Deus. Não consigo entender este tipo de oração. Já escrevi por aí que costumo orar sorrindo, em meu interior, ofertando alegria aos meus que partiram. Já tive um filho sendo operado no estrangeiro, com grave doença, e passando por uma capela do hospital me ajoelhei, sem conseguir pedir que fosse salvo. Simplesmente entendi que ele não me pertence. Pertence a Deus. Então orei: "Que seja feita a Tua vontade". Hoje ele é um homem lindo, saudável e realizado, graças à Deus! Quem nos dá, também tem direito de nos tirar.

GALPÃO.
Madrugada.
Existem aqueles que apreciam o entardecer, pois eu aprecio o nascer do Sol. A TV mostrou outro dia o ocaso do dia em diversos locais, onde as pessoas aplaudiam o Sol, imaginariamente, tocando na superfície d`água. Eu gosto de aplaudir a "barra vermelha da saia do céu" (Apparicio Silva Rillo). Entendo ser um momento do nascer, quando as coisas acontecem, na programação de meus afazeres. A maioria bate palmas ao ocaso porque deitam tarde, e poucos acordam cedo, para aplaudir o seu nascer. 

HISTÓRIA QUE VOU CONTAR. 
Malásia.
Aquele que disser que não é vaidoso, já está sendo vaidoso. O que busco é esconder as minhas vaidades, pois os fatos me pertencem, e eu não preciso divulgar aos outros. Entretanto, estou colando abaixo uma informação que o Google me reportou, publicando a assistência mundial que acessa o Galo Velho. Realmente fiquei vaidoso, e vou divulgar à vocês, como cultura. 


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1
Esse foi o público que acessou o blog no último mês. O mês não é dezembro, mas o dia de hoje somado aos vinte e nove dias que o antecederam. Certamente estas 320 páginas acessadas na Malásia são de brasileiros, e seguramente de gaúchos, que lá estão trabalhando. Malásia não é ainda um tigre asiático (Hong Kong + Coreia do Sul + Singapura e Taiwan), mas segue o rumo. O país situa-se numa parte continental na península Malaia, e uma seção do norte da ilha de Bornéu. Incrível, mas destaco que  4/5 do seu território é coberto por floresta tropical, e proíbem a extração de madeira. Seu território tem 330.000 km² (não me atrevo a comparar com os nossos 8.500.000 km). Malásia é o maior produtor mundial de borracha, óleo de palma e estanho. Antiga possessão inglesa, que ali deixou bom desenvolvimento cultural, é o fator preponderante para o seu desenvolvimento.


 FECHANDO A PORTEIRA.
Vou deixá-la aberta, para que a vaidade vá embora.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Boletim 155.

ABRINDO A PORTEIRA.
2014.
Ele está novíssimo, e logo será apenas novo mas, logo logo já será velho. A velocidade do tempo está nos assustando. Pertenço a um tempo que a gente abria os olhos e ficava imaginando o que fazer. Hoje ficamos imaginando o que deixar para fazer amanhã. Nos países de primeiro mundo os profissionais tiram férias curtas, bem ao contrário daqui, e descobri o porquê: eles descansam "todos os dias"! Em um determinado horário fecham seu negócio, e vão praticar o esporte preferido. Os que se sentirem velhos para os esportes físicos vão jogar xadrez. Se fizermos assim, nossos dias ficarão mais longos. Experimentem.

GALPÃO.
O mate.
Certamente já falei dele, mas nunca é demais relatar o hábito mais gaúcho de todos. Lembro que escrevi sobre as mateadas em público. Ora, mate é um momento de sociabilidade quando entre familiares ou amigos, e por tal deve ficar restrito ao lar, ao galpão e até mesmo nos locais de trabalho. Condeno as mateadas dentro dos automóveis, salvo em viagem longas, muito longas. A raiz da fraternidade gaúcha consiste na frase "Queres um mate?". Imagina na rua o mateador encontrar um monte de amigos - impossível a oferta! No meu NPHC (Núcleo de Pesquisas Históricas de Camaquã) estamos fazendo um trabalho sobre o mate. Não como se faz mate, pois isto varia de um local para outro, mas as suas Leis. Talvez a primeira delas será: "Mate não se pede". O mate deve ser ofertado, no simbolismo de nossa hospitalidade. Nas rodas do mate, ninguém deve ser excluído, entretanto, alguém pode se excluir agradecendo o mate. Relatarei as Leis, quando o NPHC concluir o trabalho, e desde já estamos solicitando a participação de vocês.


HISTÓRIAS QUE ME CONTARAM.
Ainda o mate.
Fica difícil reler o que escrevi, evitando as repetições, mas lá vai mais uma. Um amigo e irmão, que já partiu para a Invernada do Esquecimento, costumava receber a comadre dele em sua família, onde mateavam. Então a comadre "engrenava" primeira, segunda e até terceira em sua bomba de mate, o que mexia com os seus bofes, pois uma das leis do mate é que só o cevador pode mexer na bomba. Então certo dia meu amigo "palanqueou" a bomba na cuia, usando um arame fino. Foi uma risada coletiva quando a comadre se deu mal. 

FECHANDO A PORTEIRA.
O Sofrimento.
"Isso não é vida!". Quantas vezes já ouvimos essa frase? Prestem atenção no seu significado. Quem a pronuncia parece querer partir para outra. Normalmente seu sofrimento é por coisa insignificante, um fato desprezível, no qual colocou todo o conteúdo da existência. Sofrer é padecer com paciência, foi o que encontrei no dicionário de Silveira Bueno, mas quem consegue paciência nas dores? Nas físicas talvez consigamos, mas e nas dores morais? Aquele amor perdido, numa ofensas, ou uma injustiças? Parece intolerável, mas tudo seria fácil se "Amássemos a Deus sobre todas as coisas"! Quem se habilita?
Que o Senhor, Criador de todos os Mundos esteja conosco em 2014 e SEMPRE. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Boletim 154.

ABRINDO A PORTEIRA.
Punta del Leste.
O nome por si já é expressão de riqueza. Uma linda e rica cidade encrustada numa belíssima península, mas contradizendo com um país longe de ser rico. Eu ali também fui uma contradição por cinco dias, e é importante quando se conhece os "dois lados da moeda", ou como diz meu Pavimento de Mosaico: "os dois opostos da vida". Necessitei de um amigo para me emprestar o apartamento, onde comemorei a "cura" da minha Jane, alheio às minhas incapacidades materiais. O sabor da felicidade deve ser sorvido sem as preocupações do que nos falta, mas usufruída com o muito que Deus nos brindou de graça. O Grande Criador me permitiu ser feliz, diploma que ostento alegremente ao longo de meus oitenta anos de vida. Gostaria que vocês me entendessem - ser feliz não é medir o muito ou o pouco que possuímos, mas reconhecer e agradecer ao Deus que acreditamos, pela boa saúde que nos deu, e pela família que desfrutamos. O resto será sempre um resto, que não nos pertencerá nunca.
Obrigado Senhor!

GALPÃO.
O Deus Cósmico.
Sei, vocês irão dizer que isso não é conversa de galpão, mas vou fazê-la porque estarei protegido por seu manto de luz. Estou lendo um livro com este título, assinado pelo meu já amigo Dr. Valnei Tavares, nascido na terra pura e limpa de Canguçu. Daí que ainda não tendo terminado de lê-lo já me empolgo, para dizer que mesmo não sendo uma nova religião, bem poderia ser, e seria a mais velha de todas, visto que nos projeta ao Cosmos. Somente lendo "O Deus Cósmico" será possível tirar conclusões, já que o autor nos deixa à vontade para raciocinar. Insiro um trecho do livro:
"Para a fé cósmica, o pecado, no sentido de "ofensa" a Deus, não existe! Pela simples razão de que não é possível Deus se ofender com algum tipo de comportamento humano. Se isso acontecesse, ele não seria Deus!... Mas atenção: não existe pecado, mas existe, sim o erro! Jamais qualquer comportamento ou ato humano pode fazer com que Deus se ofenda, porém todo o ato ou comportamento voluntário que fizer sofrer, ofender, constranger ou humilhar outro ser humano (ou animal ou a própria natureza) é uma dívida que contraímos e que terá, cedo ou tarde, de ser resgatada".
Deixo uma oração do Deus Cósmico: "Obrigado Senhor por tudo que me deste. Obrigado Senhor pelo que estás me dando. Obrigado Senhor pelo que me darás".

HISTÓRIAS QUE ME CONTARAM.
Papai Noel.
Claro, essa história é muito velha, mas por acontecer todos os anos vou focá-la novamente. Nunca gostei do Papai Noel. Ele sabia de todas as minhas artes, e me cobrava com forte autoridade. Creio que era um ignorante aquele homem "gordo, vestido de vermelho e derramando suor", que cobrava meu mau comportamento. Eu o escutava atentamente, mas a distância, e foi bom não me colocar em seu colo, como hoje os Papais Noéis fazem com as crianças, o que considero uma evolução social. Estou aplaudindo. Pena que esse "bom velhinho", como diz a mídia, anda botando a mão no meu bolso, fazendo com que mais uma vez eu me desgaste com ele. É presente para todo o mundo, e isso não acontecia naquele tempo, quando se desconhecia a tal de mídia. Presente era coisa muito rara. A gente rezava bastante (coisa que não se faz mais), indo a Missa do Galo. Não consigo lembrar dos enfeites de presépios, e nossas árvores de Natal eram naturais. O que mais valia eram os banquetes dos churrascos gordos. 
Hoje é um "Papai" nos acuda !

FECHANDO A PORTEIRA.
Feliz Natal!!!
É Feliz Natal pelo nascer daquEle que nos redimiu dos pecados! Foi Ele que pagou nossa grande conta, e portanto, não devemos mais nada. Se estamos fazendo outras contas, elas serão pagas de acordo com a Lei de Causa e Efeito. É difícil, mas envio votos para que vocês não errem, e UM FELIZ NATAL.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Boletim 153.

ABRINDO A PORTEIRA.
O Galo Velho.
O artista camaquense, Mauro Rocha, realizou uma bela pintura, extraída da imagem do Galo Velho que estampa a lateral dos boletins, obra esta que foi comprada pela Câmara de Vereadores da cidade de Tapes, e que enfeita uma de suas paredes. Recebi a ligação de um vereador de lá, pedindo título para a obra, quando disse que meu Galo Velho simboliza o trabalho na pecuária gaúcha. Como queriam saber detalhes daquele campeiro, relatei:
Cristino era filho de um paraguaio, tanto que para muitos o seu apelido era "paraguaio". Seu pai foi aprisionado quando da Guerra do Paraguai, na tomada de Uruguaiana pelos brasileiros, e veio para a Fazenda do Cristal, dos filhos do General Bento Gonçalves, como escravo, onde casou e constituiu família. Ainda jovem, Cristino foi comprado pelo meu bisavô, Ignácio Xavier Azambuja, vindo para a sua fazenda da Invernada. Posteriormente ele veio para a Fazenda da Quinta, onde trabalhou como posteiro, recebendo casa, lavoura fechada, cavalos e seus arreios, um rancho mensal das primeiras necessidades (*), podendo ainda criar junto como o gado do patrão. Era desta criação que tirava o seu sustento, já que não recebia salários. Aliás, naquele tempo ninguém recebia salário, todos se alimentavam fartamente da cozinha da fazenda, recebiam roupas dos patrões, e viviam livres sem escravaturas. Jamais existiu escravos em nossas fazendas, eles foram amigos dos fazendeiros, mesmo porque estavam armados de uma faca para courearem, e cavalo campo à fora, fácil de fugirem! O trabalho do posteiro consistia, além da lida campeira, em cuidar para que o gado do patrão não passasse para o campo do vizinho (não havia aramados), mas não se importando que o gado do vizinho passasse para o seu campo. Isto porque havia uma lei, que consistia em ser do proprietário, todo o animal que ali nascesse e recebesse marca. Quando das reculutas (consistia na busca dos animais alheios à propriedade) as vacas que ainda alimentavam os terneiros marcados, só seriam recolhidas na próxima, com seus terneiros já desmamados.  
(*) - Naquela época se plantava na sede da fazenda café e algodão.
Eram de pouca produção e má qualidade, mas servia para o sustento, principalmente o algodão na confecção de roupas. Ainda não criavam ovelhas nos nossos campos, por serem dominados pelos banhados. Como o alimento principal era a carne, e havia uma pequena produção de arroz no início do século XX, buscavam na foz do Rio Camaquã, num local chamado Pacheca, os demais gêneros que vinham de Pelotas. Os barcos ali aportavam para carregar a lenha (o único combustível da época), oriunda da grande mataria do Rio Camaquã. Lembro das "bolachas éguas" embaladas em barricas de madeira, certamente para não molharem no transporte.

Desculpem a extensão da escrita, o que não é meu costume. Inflamei-me com a beleza de um passado puro e limpo. Não vou galponear, nem contar histórias, deixando tudo aberto para um até breve.


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Boletim 152.

ABRINDO A PORTEIRA.
A consciência.
Também já me referi a ela anteriormente, mas é um assunto inesgotável. Tão inesgotável que muitos dizem que ela é o Criador que habita em nós. Eu digo que ela é a "internet" que nos comunica com Ele. Então vou trazer um outro elemento, que é indispensável em nossas vidas - o equilíbrio. Não afirmo, mas penso que devemos desenvolver nossas consciências (elas se desenvolvem de acordo com a moral com que pensamos), de tal maneira, que consigamos o seu equilíbrio. Parece que assim não sofreriam tanto, certas pessoas que conheço, e que se machucam tanto por seus pequenos erros. Machucam a si próprios. Sofrem por uma consciência exagerada, na análise de seus pequenos erros, que podem ser considerados normais. Afirmo que só cresce, aquele que aceita seus erros, mas que busca por suas correções.

Nossos filhos.
Não costumo fazer transcrições aqui, mas esta parece ser verdadeira. Devemos meditar. Recebi do meu Irmão Negro Velho, que nasceu Wilson Dias.

Falando sobre conflitos de gerações, o médico inglês Ronald Gibson começou uma conferência citando quatro frases: 
1. "A nossa juventude adora o luxo, é mal-educada, despreza a autoridade e não tem o menor respeito pelos mais velhos. Os nossos filhos hoje são verdadeiros tiranos. Eles não se levantam quando uma pessoa idosa entra, respondem aos pais e são simplesmente maus."
2. "Não tenho mais nenhuma esperança no futuro do nosso país se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque esta juventude é insuportável, desenfreada, simplesmente horrível."
3. "O nosso mundo atingiu o seu ponto crítico. Os filhos não ouvem mais os pais. O fim do mundo não pode estar muito longe."
4. "Esta juventude está estragada até ao fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Eles nunca serão como a juventude de antigamente... A juventude de hoje não será capaz de manter a nossa cultura."
Após ter lido as quatro citações, ficou muito satisfeito com a aprovação que os espectadores davam às frases.
Então, revelou a origem delas:


A primeira é de Sócrates (470-399 a.C.); 
A segunda é de Hesíodo (720 a.C.);
A terceira é de um sacerdote do ano 2000 a.C.
A quarta estava escrita em um vaso de argila descoberto nas ruínas da Babilônia e tem mais de 4000 anos de existência.


Fantástico! Infelizmente nada mudou! 


Não galponeio, nem conto histórias, mas estou feliz, pois minha Jane largou dos "cueiros".



sábado, 23 de novembro de 2013

Boletim 151

ABRINDO A PORTEIRA.
Resignação.
Creio que já me referi anteriormente, que toda a virtude é de difícil aprendizado. Não nascemos virtuosos, salvo os eleito do Senhor. A resignação, que o dicionário define como "coragem para enfrentar a desgraça", é sem dúvida uma das mais difíceis. Como não esbravejar ante a desgraça, contemplando a morte de um ente querido, ante um acidente fatal, um desastre da natureza? Apenas sei que esbravejar não irá nos dar solução alguma, como sei o quanto é difícil manter a serenidade numa hora destas. Quando perco alguma coisa, costumo meditar "Quem me dá, tem o direito de me tirar". 

HISTÓRIAS QUE ME CONTARAM.
Saci Pererê.

Não é por ser colorado, pois antes de ser, nasci gaúcho, torcendo hoje para o Grêmio nos representar na Libertadores. Essa história do Saci foi despertada com um artigo do Vianey Carlet na Zero Hora, enaltecendo o Inter, 5º colocado entre os 10 mais destacados das três Américas em artigo da Revista Forbes (o Grêmio não aparece ali). Então pesquisei na Wikipédia.
Saci Pererê é um personagem do nosso folclore, e tem sua origem entre os índios da região das Missões no nosso Rio Grande. É um negro jovem, quase criança, de uma perna só, portador de uma carapuça sobre a cabeça que lhe concede poderes mágicos, fazendo pequenas travessuras. Lembro de meu tempo criança, quando as cozinheiras diziam: "Olha, o Saci passou por aqui e fez queimar o arroz", e outros pequenos acidentes domésticos a ele atribuídos. Monteiro Lobato foi o primeiro escritor a lhe dedicar atenção, e em 1917 publicou o seu primeiro livro "O Saci Pererê: resultado de um inquérito". Ziraldo também o colocou em suas histórias de quadrinho. Vamos ver se os poderes do nosso Saci despertam os pernas-de-pau do meu Inter.


FECHANDO A PORTEIRA.
Nem vou entrar no Galpão do Galo Velho, mesmo porque ando muito distante dele. Minha Jane agora "anda largando dos cueiros", e em breve retornaremos, se Deus quiser. Afinal foram sete longos meses...

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Boletim 150.

ABRINDO A PORTEIRA.
O amor.
Certamente é uma das palavras mais usadas no nosso linguajar diário. Amamos tanto, que o termo odiar está se apagando. Tomara. Assim vou me atrever a falar sobre o amor, escrevendo aqui como o pratico. Inicialmente afirmo que o amor é um sentimento que não nos pertence. Pertence ao Ser Divino que nos criou, a quem devemos fazer oferta. Ao amar devemos amar, para o outro, sem pedir nada em troca. É um sentimento tão soberano, que dele não podemos fazer negociações. Muitas vezes ao ofertar meu gesto de amor, sinto que ele foi desprezado, ou na melhor das hipóteses, despercebido. De outras feitas foi tão enaltecido, que buscaram fazer retribuições. Só ama com desprendimento, quem ama a Deus. 

GALPÃO.
O cavalo crioulo.
Vou chamar de amor, pois paixão é um sentimento excessivo, podendo tanto ser "amor ardente", como "martírio", lembrando o sofrimento de Cristo. Como os sentimentos dos gaúchos são "ardentes", vamos deixar passar como "paixão", essa estrema dedicação ao cavalo crioulo, que já se estende pelo resto do País. Dou testemunho, que nos fundos de muitas casas da minha cidade de Camaquã, existe uma cocheira acolhendo um cavalo crioulo. É com ele que se participa dos rodeios, desfiles, cavalgadas pelo interior, e até mesmo visitas aos amigos distantes. Necessário entender que 90% de nossa população citadina é oriunda do campo, trazendo dai o amor pelo cavalo. O cavalo crioulo é obediente, manso, bonito e resistente. Meu filho Luis Mário ama tanto o cavalo crioulo, que guarda numa parede do Galpão do Galo Velho a caveira das suas duas primeiras éguas. Só está faltando os crioulistas inventarem enterro de suas cavalgaduras. Olhem só a saudosa imagem que o Luis Mário guarda. 




HISTÓRIAS QUE ME CONTARAM.
Ainda o amor ao cavalo.
O cavalo sempre fez, e ainda faz parte da vida do gaúcho. Nos tempos primitivos, quando aqui era chamado Terra de Ninguém, ele só tinha amor pelo cavalo. Até mesmo a mulher, que ele roubava nos povoados (daí a alcunha de ladrão), abandonava logo adiante, com medo de formar família, perdendo aquela existência nômade. O único torrão pátrio, conquistado com lança e pata de cavalo, foi o nosso Rio Grande do Sul, e foi o cavalo crioulo, nosso "tanque de guerra", peça indispensável para aquela conquista. A imagem abaixo mostra bem o quanto cavalo-gaúcho era amor - O guerreiro morto - assinatura de Marenco.

FECHANDO A PORTEIRA.
Mais cavalos...
Vejam como estamos evoluindo! Sou do tempo em que as domas nas fazendas era uma verdadeira barbaridade. Era o "bicho" homem versus bicho cavalo. Claro, vencíamos, mas pobre daqueles animais. Agora, abram o link abaixo e apreciem a evolução.




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Boletim 149

ABRINDO A PORTEIRA.
O sentido da vida.
Quando se percorre um longo caminho da existência, dificilmente deixamos de perceber qual o sentido da vida. Quando se percorreu a metade dela é normal uma vacilação. Ele poderá ter interpretações diferentes, de pessoas para pessoas. Tudo irá depender de suas constituições morais. A filosofia diz que moral é o nosso domínio espiritual. Aqueles que julgarem que a vida é constituída apenas de matéria, jamais terão um bom sentido da vida. 
Em breve, todos nós não estaremos mais aqui. Por mais que tentem alongar nossas vidas aos 100 anos, ela é passageira. Temos de crer nisto, assim como temos de crer que aqui não viemos inutilmente, para gastarmos nosso tempo com vaidades e orgulhos. Qual então o verdadeiro sentido da vida? Atrevo-me em afirmar que estará nas obras que aqui praticarmos. Certamente haverá o juízo de uma consciência maior, e não aceito que esse juízo pertença ao ser humano. Afirmaremos, nem que seja no momento final, que nossa existência não foi inútil, e que soubemos construir para o bem de nossos semelhantes. 
Os primeiros habitantes de nossa Pátria não tiveram consciência do sentido de suas vidas. Nem souberam que viveram em um paraíso, mesmo vivendo em contato com a natureza pura, imagem divina de um Deus Criador. Não conheceram vaidades, nem orgulhos fúteis, até que o homem branco aqui chegou, com suas doenças e outras tantas mazelas. Continuo afirmando que a humanidade está evoluindo, e creio que em breve também encontraremos a paz interior, complemento indispensável para entendermos o verdadeiro sentido da vida. Amém.
PS- De tanto que escrevi, nem vou chegar no Galpão, contar Histórias ou mesmo cerrar a Porteira.   

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Boletim 148

ABRINDO A PORTEIRA.
Nossa Casa.
Hoje retornei à nossa casa, com a minha operada Jane ainda toda "ponteada". Fiquei matutando no significado da gente retornar ao lar. Não são os móveis, os enfeites, o computador, os tapetes, mas, o significado espiritual da família. Quando saímos à passeio, retornamos sem esta emoção. Quando saímos por doenças, sofrendo hospitalizações, ao retornarmos é que sentimos a razão de nossas felicidades, dentro de nossos lares. Cheguei a imaginar aqueles que retornam a um simples rancho de sapé, sabendo que suas emoções serão idênticas à minha. Que Deus abençoe nossos lares.

GALPÃO.
Saudade.
Sei que teu fogo estará aceso, mesmo que a "pretinha" não esteja se aquentando no teu lume. Tu é que não sabes a saudade que doe em meu peito. Mando-te um chasque, dizendo que retornei, e que: "Tu foste um dia meu lar, e hoje aqui venho rezar, saudoso do teu afago, catedral xucra do pago, de joelhos no teu altar" (Apparício Silva Rillo).

HISTÓRIAS QUE ME CONTARAM.
O cérebro e a mente.
Estou lendo Deepak Chopra e Rudolph Tanzi, ficando emaranhado no intrincado mundo de nossos cérebros. Em certo momento ele interroga: "Quem manda? O cérebro ou a mente?" A história é longa, não cabendo nos meus sucintos textos. Não creio que seja uma conclusão, mas entendi que o cérebro não deve mandar em nosso corpo. Nós é que devemos, através da mente, mandar em nosso cérebro. O cérebro é matéria, e a mente é abstrata. Até creio que ainda não descobriram onde ela se encontra. O cérebro obedecendo a mente irá mandar mensagens sadias ao corpo, desde que a mente seja "pura e limpa".

FECHANDO A PORTEIRA.
Vou deixar esta porteira entre-aberta, pois a história aí de cima está fundindo meu cérebro. Sei, entretanto, que trilho um belo caminho, e como a última porteira se aproxima, quero chegar lá com minha cuca "pura e limpa". 

Galo Velho

Camaquã, Rio Grande do Sul, Brazil
Fundado em 05/07/1980, assim foi escrito em sua 1ª página do 1º Livro: “O que importa neste GALPÃO é que cada um saiba ser irmão do outro. Aqui terminou o patrão e o empregado; o pobre e o rico, o branco e o preto; o burro e o inteligente; o culto e o ignorante. Aqui é a INVERNADA DA AMIZADE e tem calor humano como tem calor de fogo. Nosso Galpão nem porta têm, está sempre aberto para quem buscar um abrigo. Neste Galpão os corpos cansados da lida diária encontrarão sempre um banco para descansar, e um mate amargo para a sede matar. Aqui o frio do Minuano não encontra morada, temos toda a Sant’Anna irmanada. A cada nascer de uma madrugada há de encontrar alguém aquentando fogo, buscando nas cinzas do passado, o Galo Velho que será, quando partir para a Invernada do Esquecimento. Ninguém será esquecido, se passar nesta vida vivendo como o nosso “Galo Velho” viveu, a todos querendo, sem nunca ter o mal no coração.”