quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Boletim 264.

ABRINDO A PORTEIRA.
A música.
Ela deve fazer parte do nosso dia a dia, seja até mesmo as barulhentas. Claro, minha geração é mais lenta, e por tal não esquenta. Creio que ela viveu tão pouco tempo, por não ter acesso à música do rádio, já que ao nascermos somente tínhamos as galenas, que nem vou gastar letras descrevendo-as, os curiosos que cliquem: https://pt.wikipedia.org/wiki/Galena . Nossa música era o cantar dos pássaros, o escorrer das águas, e a melodia do vento. Hoje muita coisa se acabou, mas há evolução, pois estamos nos deslocando e assistindo a vida, coisa que minha geração não conseguiu. Há evolução e desafio os céticos provarem o contrário. A vida continua bela, florida e cantante, basta cuidar da saúde, buscar segurança e absorver cultura. Vivamos! Dando o devido valor ao dinheiro. 

GALPÃO.
Um encontro.
Outro dia me encontrei com um amigo e irmão lá de  São Lourenço do Sul, terra de encanto e poesia. Ele se chama Pandiá Cardoso, a quem o Grande Criador ofertou o dom de uma bela voz, grave e melodiosa. Sou ligado em vozes graves, no destaque à Andéa Bocelli. 
Com a devida autorização do Pandiá publico abaixo a música que ele canta, a letra de Léo Ribeiro e musicada por Adão Quevedo da Silva. O disco será lançado no dia 30 de abril próximo, em São Lourenço do Sul.



Apreciem a bela letra da poesia de Léo Ribeiro:


Sorvo do estribo o último mate deste domingo
que foi bem lindo, de prosas brandas e sem alarde.
O sol se pondo, as curucacas vindo pras casas,
tropéis de asas sonorizando um fim de tarde.

O teu silêncio é quase um grito pra que eu não vá
e vem de lá da estrada longa rojões de ventos.
Tudo se aninha pra que eu apeie e solte o pingo.
porque um domingo pra tanto amor é pouco tempo.

Mate do estribo (mate do adeus) é o mais amargo,
em tragos largos eu vou sorvendo bem aos pouquinhos.
Tal qual a seiva que agora mata a minha sede
teus olhos verdes eu vou levar pelos caminhos.

Por estes dias só vou beber mates de espera,
pelas tigüeras, pelos varzedos, pelos galpões,
e um mate doce com a vó bugra, só por lembrança,
da minha infância que foi embora com as ilusões.

E quando a noite se vier pro rancho com seu negrume
tendo por lume um fogo grande que sobe a esmo
na solitude que me arrincona onde nasci
pensando em ti vou chimarrear comigo mesmo.

Mates do estribo... já sorvi muitos por toda a vida
as despedidas andam comigo desde menino
porém agora que encontrei  a flor-do-campo
os seus encantos hão de mudar o meu destino.

Que passe logo esta semana cá nestes fundos
onde meu mundo não vai além deste horizonte
porque o domingo é o dia santo que me acalma
bebendo a água mais clara e pura de tua fonte.







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Galo Velho

Camaquã, Rio Grande do Sul, Brazil
Fundado em 05/07/1980, assim foi escrito em sua 1ª página do 1º Livro: “O que importa neste GALPÃO é que cada um saiba ser irmão do outro. Aqui terminou o patrão e o empregado; o pobre e o rico, o branco e o preto; o burro e o inteligente; o culto e o ignorante. Aqui é a INVERNADA DA AMIZADE e tem calor humano como tem calor de fogo. Nosso Galpão nem porta têm, está sempre aberto para quem buscar um abrigo. Neste Galpão os corpos cansados da lida diária encontrarão sempre um banco para descansar, e um mate amargo para a sede matar. Aqui o frio do Minuano não encontra morada, temos toda a Sant’Anna irmanada. A cada nascer de uma madrugada há de encontrar alguém aquentando fogo, buscando nas cinzas do passado, o Galo Velho que será, quando partir para a Invernada do Esquecimento. Ninguém será esquecido, se passar nesta vida vivendo como o nosso “Galo Velho” viveu, a todos querendo, sem nunca ter o mal no coração.”